Lígia de Noronha * psicóloga, especialista no despertar da consciência

A ESPIRITUALIDADE NO TRABALHO * in Newsletter Out. 2010 da RH Magazine

“A Espiritualidade no Trabalho”

Neste contexto, espiritualidade não se refere à criação de espaços alternativos para meditação e/ou yoga dentro das empresas, nem à promoção de orações entre os funcionários. Na base tem visão e postura humanitárias e responsáveis por parte dos líderes, e inspiração e sentido de propósito individual e comum por parte dos trabalhadores. Espiritualidade no Trabalho é uma nova postura, uma nova maneira de se sentir e conduzir toda a dinâmica de uma empresa, inspirada por princípios e leis universais e estruturada no que implica (de facto) desenvolvimento pessoal…

Muito poucas são ainda as empresas que se preocupam de algum modo com o estado emocional e mental de cada elemento do seu pessoal, pressionando-o, pelo contrário, a “produzir” mais e mais e o mais rápido possível. Os incentivos monetários e de formação não têm (necessariamente) trazido melhores “resultados”, porque o/a trabalhador/a está desequilibrado, mesmo que não o saiba e tente não o transparecer…

Por todo o mundo se fala hoje em dia de Inteligência Espiritual, um conceito científico atribuído a um conjunto de características encontradas em grandes líderes espirituais e que já se começa a verificar como igualmente presente em alguns líderes empresariais. Prevê-se que o desenvolvimento desta Inteligência (que constitui um avanço relativamente à Emocional) seja a única saída para o estado de desequilíbrio em que as pessoas se encontram, o qual, como bem sabemos, se reflecte nos ambientes de trabalho e no funcionamento das instituições e da economia em geral…

Este é um tema actualíssimo que está a merecer a atenção de grandes empresários em todo o mundo, vindo a este propósito acontecendo conferências anuais, seminários, palestras e formações a nível internacional…

Digamos que a preocupação com a imagem e com o lucro vem a ser substituída por um enfoque no equilíbrio holístico (corpo, mente, emoções e espírito) de cada pessoa envolvida na dinâmica. Por exemplo, perceber que muitas podem “estar no lugar errado”, podendo ter qualidades e aptidões inatas por descobrir e usar (o que, enquanto não acontece, traz frustração e falta de motivação e inspiração), e que estão a fazer “aquilo que não gostam”, ou que até “detestam”, no entanto não têm coragem de o manifestar (e até de aceitar), nem de propor mudanças, devido a medos vários e inseguranças que as ‘bloqueiam’…

E que, nesta conjuntura, 1) problemas no desempenho e na produtividade acabam por vir a surgir porque o/a trabalhador/a vem – inevitavelmente – a apresentar sintomas, por exemplo de a) stress acumulado (que pode acarretar insónias, fadiga, irritabilidade, abuso de drogas, etc.), b) questões conjugais/familiares não resolvidas (que se podem manifestar sob a forma de alterações no humor, na energia, na concentração e atenção, etc.) e c) doenças recorrentes várias (algumas das quais podendo até conduzir à inaptidão ou à morte), e ainda 2) problemas no ambiente da empresa, por exemplo ao nível da interacção entre colegas, uma vez que no relacionamento entre eles/as surgem – inevitavelmente – reacções emocionais inconscientes por parte de cada indivíduo, advindas, por um lado, de questões internas e antigas por resolver em cada um/a e que se manifestam sobre a forma de projecções e deslocamentos (mecanismos de defesa) para com os/as colegas, e, por outro, da falta de consciência por parte dos mesmos/as da origem dessas reacções (as quais podem conduzir a disputas, desarmonias,  mal-entendidos e lutas de poder). Enfim, ressentimentos, culpabilidade, raiva e mal-estar geral (entre outros sentimentos e emoções) acabam por “contaminar” tudo e todos…

Dito doutro modo, e em forma de conclusão, por ora, é importante e urgente aceitarmos que muitos de nós estamos há algum tempo já a sentir uma forte pressão para mudar interiormente, porém poucos até aqui conseguimos realmente fazê-lo (pelo menos) de modo constante e irreversível. E que, nos tempos que correm, a resistência à mudança, a inconsciência e a estagnação evolutiva individual têm os dias contados, uma vez que situações repentinas, inesperadas e graves estão cada vez mais a acontecer com o ser humano (ao ponto de se especular que até finais de 2012 sejamos apenas 1/3 da população mundial actual do Planeta Terra)…

Que continuarão a acontecer doenças, mortes, acidentes, crimes, falências, guerras e desequilíbrios e roturas gerais, acompanhados de grande pressão advinda de medos, preocupações e conflitos, de ressentimento, culpa e raiva, de carências, dependências, dívidas, mentiras e máscaras…

Enfim, que tudo do que fugimos até aqui está e vai continuar a ‘assaltar-nos’, com problemas, dificuldades e manifestações desequilibradas gerais, que não nos dão outra possibilidade a não ser a de MUDAR, seja pela via da morte (que também pode ser em vida), ou de um verdadeiro Viver com vontade e determinação próprias e com a devida e adequada ajuda e orientação de outras pessoas, se necessário…

Sintra, 18 de Outubro de 2010

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1 Comment

  1. gustavo nobre Reply

    muito bom sua visao sobre o tema me ajudara muito em minha apresentação da escola

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